O metal ressoou frio e perturbador
O meu corpo de armaduras livrou-se da dor
Meus olhos feridos buscaram o céu
O azul celeste foi tingido de rubro
E o espaço abaixo do céu bebia meu sangue
Que vertia da face a cair
Do meu casulo metálico pularam grandes asas
Que batiam vertiginosamente a querer voar
Ao ar, a leveza!
E meu coração é de pedra, não pode voar.
As asas impetuosas não venceram a gravidade
Mas inflamaram a fogueira dos deuses onde
O fogo indômito queimou-me
E queimando a carne, ganhei as alturas e apagaram-se as chamas
Liberdade!
Gritei ao vento. E o ventou me levou alto
Adeus aos deuses da terra, agora pertenço ao ar
Quebrarei as pedras do meu coração e o farei de flama leve
O farei com o mesmo fogo que arde na forja dos deuses celestes
E os cortes dos meus olhos, cauterizarei com a brasa dos seus atenazes.
Minha armadura será intransponível pelo mal
Mas será transparente à luz dos sentimentos puros e verdadeiros
Voltarei transformado.
Voltarei curado.
Invulnerável.
Encurtarei o espaço entre céu e terra.
Lavarei a terra com as lágrimas do desejo realizado
E a enfeitarei com as flores da vida plena.


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