quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Profecia

O metal ressoou frio e perturbador

O meu corpo de armaduras livrou-se da dor

Meus olhos feridos buscaram o céu

O azul celeste foi tingido de rubro

E o espaço abaixo do céu bebia meu sangue

Que vertia da face a cair

Do meu casulo metálico pularam grandes asas

Que batiam vertiginosamente a querer voar

Ao ar, a leveza!

E meu coração é de pedra, não pode voar.

As asas impetuosas não venceram a gravidade

Mas inflamaram a fogueira dos deuses onde

O fogo indômito queimou-me

E queimando a carne, ganhei as alturas e apagaram-se as chamas

Liberdade!

Gritei ao vento. E o ventou me levou alto

Adeus aos deuses da terra, agora pertenço ao ar

Quebrarei as pedras do meu coração e o farei de flama leve

O farei com o mesmo fogo que arde na forja dos deuses celestes

E os cortes dos meus olhos, cauterizarei com a brasa dos seus atenazes.

Minha armadura será intransponível pelo mal

Mas será transparente à luz dos sentimentos puros e verdadeiros

Voltarei transformado.

Voltarei curado.

Invulnerável.

Encurtarei o espaço entre céu e terra.

Lavarei a terra com as lágrimas do desejo realizado

E a enfeitarei com as flores da vida plena.

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